Circuito Gastronômico de Favelas promove edição especial no Mercado da Lagoinha, dias 24 e 25 de maio
- pennaxavier
- 12 de mai. de 2025
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O Circuito Gastronômico de Favelas em sua edição de oitava traz dez cozinheiros de comunidades periféricas de Belo Horizonte, oferecendo pratos que são suas especialidades, a maioria com receitas passadas por gerações. O evento também conta com apresentações musicais de Fabinho do Terreiro e Orquestra Cabaré, participação da chef Márcia Nunes (Dona Lucinha), da masterchef Bete Coutinho, e da quilombola Kriola Taty, premiada pela fundação Palmares. O Projeto Sopa de Pedra, do chef Américo Piacenza, está na programação e vai cozinhar e distribuir prato típico italiano. O evento acontece no Mercado da Lagoinha, nos dias 24 e 25 de maio, sábado e domingo, a partir das 12h, com entrada gratuita. Haverá área de atividade para as crianças.
O Circuito Gastronômico de Favelas tem o patrocínio da Cemig, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.
“Essa edição é muito especial para nós do Circuito Gastronômico de Favelas, pois estamos voltando à Pedreira Padre Lopes, depois de seis anos sem retornar a este território de fomento a tradição da cultura e suas histórias na cidade de BH e, desta vez com a novidade que são as palestras e trocas de experiências entre os chefs periféricos e renomados da cidade”, explica Danusa Carvalho, do Casulo Cidadania, realizadara do evento.
24/5 - sábado - 12h às 20h
Canjinquinha com samba e muito carinho
No sábado, a partir das 12h, a chef Márcia Nunes, do tradicional restaurante Dona Lucinha, participa de debate com as cozinheiras do Circuito Gastronômico de Favelas, e comanda a cozinha-show com a preparação da “Canjiquinha Salpicada de Vida” . Ela conta que a canjiquinha simboliza generosidade. “Um alimento que se multiplica e alimenta “um batalhão de gente” e que tem um poder nutritivo que, preparado em panela de ferro, contribui para a absorção de ferro e pode atuar no combate à desnutrição infantil, segundo pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)”, destaca. Mais do que uma receita, a canjiquinha representa uma herança afetiva para Márcia Nunes. Sua mãe, Dona Lucinha, dizia que a vida chegava ao prato no toque final do cheiro-verde, transformando a simplicidade da cor neutra da canjiquinha em vitalidade com o verde da cebolinha e da salsinha. Para ela, cozinhar uma canjiquinha é também um ato de transmitir emoções e histórias através da comida. "A relevância da canjiquinha é sobre todos os aspectos, tanto culturais, quanto nutricionais e emocionais. E ela é salpicada de vida, que é um conceito que a mamãe dava ao cheiro verde que traz cor e vida ao prato", conclui.
O projeto Sopa de Pedra também será apresentado no sábado, com palestra e preparação do Carbonara Mineiro pelo chef Américo Piacenza, que será distribuído entre os moradores de rua do entorno. A ação reforça o compromisso do coletivo em transformar a cidade por meio da comida, ocupando os espaços públicos de forma afetiva e democrática. A receita, que une a tradição italiana com sabores e ingredientes mineiros como o bacon, o queijo minas e o sofrito de alho e cebola, é preparada numa panela grande com 50 ovos e pensada para alimentar muitas pessoas de forma coletiva. “A ideia não é entregar um prato bom de comida, mas sim produzir junto, tirar as barreiras, os pedaços cercados, criar um movimento horizontal onde está todo o mundo no mesmo nível, sem posição”, afirma Américo, destacando o poder transformador do encontro e da partilha.
Ainda no sábado, quem comandou a programação musical é o príncipe do samba mineiro, Fabinho do Terreiro , que faz a sua roda de samba, aceitando as damas (baluartes) do samba mineiro - Dona Elisa a homenageada da roda, D. Lucinha Bosco e o Seu Domingos do cavaco. No sábado, DJ Joca completa a festa musical do evento.
25/5 - domingo - 12h às 18h
Cozinha afetiva, sabor ancestral quilombola e Orquestra Cabaré
No domingo, 12h, o Circuito Gastronômico de Favelas recebe Beth Coutinho, cozinheira autodidata e especialista em gastronomia mineira, conhecida por sua comida afetiva. Ela vai conduzir uma conversa com o tema “Simplesinho mesmo”. Ela aprendeu a cozinhar com sua mãe, brincando de casinha, o que moldou seu estilo simples e saboroso, sempre feito com amor e alegria. Semi Finalista do Masterchef+ 2022, hoje comanda a cozinha da Fazenda Santa Bárbara, um espaço dedicado a eventos, experiências gastronômicas e hospedagem. Beth também realiza almoços e jantares no Espaço Cultural Lajinha, em Belo Horizonte, e participou de eventos importantes como o Fartura Brasil, Festival Tambor Mineiro, FIT 2024 e festivais gastronômicos em Santo Antônio do Itambé e Sabará. Criou o evento "O Sabor da Experiência" para o Sesc Mesa Brasil e apresenta o Cook Show "Comer, Cantar e Gargalhar", onde une culinária, histórias e música. Em sua fala, Beth promete compartilhar histórias, sabores e emoções, conectando o público à tradição mineira com a leveza e a alegria que são sua marca registrada.
A ancestralidade e os saberes quilombolas também têm espaço na programação, de domingo, às 13h. A quilombola Kriola Taty vai levar ao público o seu premiado quitute kubu, uma broa feita na folha de bananeira, além de ministrar a palestra “Sabores de raiz, herança das panelas quilombolas”. Ela compartilhou como os ensinamentos das mulheres do Quilombo Mangueiras moldaram sua forma de cozinhar, desde as medidas intuitivas – “um copo”, “um copo”, “cinco gotas” – até uma escolha de ingredientes tradicionais como mandioca e taioba. Para Kriola, manter essas práticas vivas é uma forma de preservar a memória e resistir ao apagamento cultural. Ela ressalta que a culinária quilombola não influencia apenas a gastronomia local, mas também integra profundamente a cozinha brasileira, com raízes africanas presentes em pratos emblemáticos da Bahia e de Minas Gerais. Cozinhar, para ela, é um ato de resistência, continuidade e continuidade histórica. “É muito rico trazer e poder desfrutar dessa forma ancestral de cozinhar e manter esse legado vivo da forma de cozimento e preparo de alimentos”, afirma.
No domingo, a Orquestra Cabaré, banda que fez barulho nos palcos da cidade entre 2010 e 2015, promete um baile com duração de três horas, trazendo os principais clássicos do samba em releituras cheias de personalidade. O grupo é formado por Thiago Delegado (voz e violão), Manu Dias (voz), Fernando Bento (voz e cavaquinho), Raquel Coutinho (voz e pandeiro), André Miglio (voz), Robson Batata (percussão), Carioca (bateria), Aloízio Horta (baixo), Marcos Frederico (Bandolim), além de João Machala com seu sofisticado trombone. No domingo, DJ Thiagão completa o horário musical do dia.
Circuito oferece ao público o melhor da gastronomia das comunidades
Durante o Circuito Gastronômico de Favelas, todas as receitas serão vendidas diretamente pelos chefs participantes, que receberam capacitação sobre gestão de negócios, comunicação, canais de venda e técnicas de preparo de alimentos. “Mais do que um evento gastronômico, o Circuito é uma ação de fortalecimento das potências que existem nas comunidades. É uma vitrine para que esses cozinheiros tenham visibilidade, avancem em seus negócios e ocupem novos espaços. Estar no Mercado da Lagoinha, um lugar simbólico da cidade, reforça nosso propósito de conectar a gastronomia das favelas com o centro da capital, promovendo encontros, troca de saberes e reconhecimento”, afirma Danusa Carvalho, idealizadora do projeto.
Com criações originais e representativas da culinária popular, os chefs participantes apresentam pratos que revelam a diversidade e os sabores autênticos das favelas de Belo Horizonte. Lia, da comunidade Barragem Santa Lúcia, apresenta a Língua Recheada com Chips de Batata Doce; Dona Dirce, do Alto Vera Cruz, traz a tradicional Feijoada Senzala; Marlene, do Taquaril, serve o Embolado Berrante; Izaías, da Vila Maçola, prepara seu clássico Peixe Frito; Lora, do Barreiro, aposta na suculenta Panceta Crocante; Diones, da Cidade Industrial, oferece o Pastel Trem de Minas; Wanusa, do Morro do Papagaio, leva o prato Agromerado; Alexandra, da Vila Nossa Senhora Aparecida, apresenta o doce Delírio de Limão e outras tortas artesanais; Luana, da Vila Estrela, traz a sobremesa Delícia da Lua; e Bimbal, da Pedreira Padre Lopes, fecha a lista com sua criativa Paella Mineira.
Danusa Carvalho - Liderança com propósito social
O Circuito foi idealizado por Danusa Carvalho, profissional com mais de 35 anos de atuação no mercado cultural. Reconhecida por sua contribuição à cena artística brasileira, Danusa é sócia e diretora artística da Casulo Cultura, empresa especializada em projetos culturais e eventos. Ao longo de sua carreira, trabalhou com nomes como Cássia Eller, Seu Jorge, Kátia Lund, Renegado, Paula Lima e Thiago Delegado, além de coordenar projetos como o Festival Natura Musical, Natal da Praça da Liberdade e a Bienal da UNE. Fundadora da ONG Casulo Cidadania, Danusa tem se dedicado a iniciativas que integram cultura, inclusão social e geração de renda, como o próprio Circuito Gastronômico de Favelas, realizado desde 2017, que já movimentou diversas regiões de Belo Horizonte com foco na valorização da gastronomia periférica.
Sopa de Pedra
O Sopa de Pedra é um projeto de gastronomia social idealizado pelo chef Américo Piacenza, da Cantina Piacenza, que transforma as ruas de Belo Horizonte em espaços de encontro, afeto e partilha. Inspirado na fábula que dá nome à iniciativa, o projeto propõe a ressignificação do espaço público por meio da comida, promovendo jantares abertos a quem estiver passando. As refeições, muitas vezes inspiradas na culinária italiana e preparadas com locais, como massas e molhos artesanais, são ingredientes oferecidos no clima de celebração, unindo pessoas em torno da mesa e da cultura alimentar.
Mais do que servir comida, o projeto busca vínculos alimentares e provoca mudanças no meio do lúdico, da alegria e da ocupação afetiva da cidade. Para tornar tudo isso possível, Américo se uniu a amigos, empresários e voluntários que colaboram na organização dos eventos. Juntos, formam um movimento que acredita na gastronomia como ferramenta de transformação social.
Casa da Gastronomia Social
O Circuito Gastronômico de Favelas integra uma proposta ainda mais ampla de fortalecimento da gastronomia periférica: a Casa da Gastronomia Social, projeto idealizado por Danusa Carvalho que será lançado em 2025. A Casa será um centro de referência permanente para a formação, pesquisa, produção e convivência de profissionais da culinária oriundos das favelas e periferias de Belo Horizonte. O espaço abrigará cursos de capacitação e oficinas práticas externas a todas as etapas da cadeia gastronômica – do preparo ao empreendedorismo –, com foco em geração de renda e profissionalização. Também funcionará como espaço de convivência e troca de saberes, promovendo o intercâmbio entre cozinheiros, fornecedores, comunicadores e gestores culturais. A Casa da Gastronomia Social pretende ainda oferecer refeições a preços populares, serviços de catering, produção de alimentos congelados e consultorias. O Circuito Gastronômico de Favelas, desde já, é uma das ações concretas que compõem essa iniciativa e ajuda a consolidar o projeto como um legado transformador para Minas Gerais.
Cemig
A Cemig é a maior incentivadora da cultura em Minas Gerais e uma das maiores do país. Ao longo de sua história, a empresa reforça seu compromisso em patrocinar as expressões artísticas existentes no estado, de maneira a abraçar e acolher a cultura mineira em toda a sua diversidade. Os projetos e atrações patrocinados pela Cemig têm como objetivo beneficiar o maior número de pessoas, nas diferentes regiões do estado, promovendo a democratização do acesso às práticas culturais. Ao investir, incentivar e contribuir o crescimento do setor cultural em Minas Gerais, a Cemig contribui para dar vida à arte, refletindo o posicionamento da Companhia em ser uma indutora do desenvolvimento social e econômico de Minas Gerais.
Serviço
Circuito Gastronômico de Favelas
Dias 24 e 25 de maio, sábado e domingo
Horário: a partir das 12h
Local: Mercado da Lagoinha - Av. Pres. Antônio Carlos, 821 - Lagoinha, Belo Horizonte
Entrada gratuita




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