DA MACEGA À MAKAIA: PAI RICARDO LANÇA SEU PRIMEIRO LIVRO NA ACADEMIA MINEIRA DE LETRAS
- pennaxavier
- 20 de out. de 2025
- 4 min de leitura

Projeto apoiado pelo Rumos Itaú Cultural, evento será no dia 24 de outubro com
entrada gratuita
Os conhecimentos tradicionais das casas e territórios de religiões
afrobrasileiras, por vezes restritos a quem os frequenta e vive, ganham
uma nova plataforma: é o livro “Da Macega à Makaia – abrindo
caminhos na tradução do falar negro de terreiro”, proposto por Pai
Ricardo de Moura - mestre nas disciplinas de Formação transversal em
saberes tradicionais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e
coordenador do Centro de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO). O projeto
foi contemplado no Rumos Itaú Cultural 2023-2024 e será lançado no dia
24 de outubro, sexta-feira, na Academia Mineira de Letras, em Belo
Horizonte.
O livro apresenta o ensino, a transcrição, a “escrit(ação)” (termo cunhado
por ele) e a editoração dos saberes ancestrais espirituais, artísticos,
culturais e éticos herdados de seus antepassados, a fim de resgatá-los,
preservá-los e difundi-los.
Da Macega à Makaia trata do trânsito entre a oralidade e a escrita do
pensamento afro periférico dessa comunidade. “O falar negro é como a
macega, uma mata complexa, difícil de atravessar, pela dificuldade que
algumas pessoas têm de nos ler, escutar, sentir, entender e ceder espaço",
diz Pai Ricardo que completa: “Já a makaia é o local de mata fértil, de
pensamentos e ideias que precisam circular entre espaços distintos. É o
bioma, o sistema inteiro, com movimentos, energias, tudo o que está
acontecendo nas temporalidades cronológica e da subjetividade. É o lugar
que carrega todos os ecossistemas do pensamento negro de terreiro”.
Filho de Oxóssi - “o deus que habita e é a própria mata” -, Pai Ricardo
explica que a makaia e a macega são elementos que sempre estão
presentes em suas reflexões. “Para transitar por uma, é preciso passar pela
outra. Makaia e macega são caminhos. Para atravessá-los, sugiro um
processo criativo compartilhado de transcrição da oralidade, respeitando a
cosmologia de terreiro, pautada no diálogo, na coletividade, na transmissão
dos conhecimentos, na prática e na escuta atenta entre todos”, conta.
O trabalho foi dividido em eixos, como: “A relação entre os saberes
tradicionais e a universidade”; “A cidade, o ambiente e as comunidades
tradicionais”; “Territórios de práticas religiosas afro diaspóricas”; “A
diáspora negra na periferia”; “Criação e educação no dilema da transmissão
de saberes” e “O carretel de sucessão”.
Com esse livro, Pai Ricardo deseja que esses saberes alcancem outras
comunidades, redes de povos tradicionais, acadêmicos, gestores e pessoas
interessadas em se “engajar na causa” para combater o racismo."Queremos ser ferramenta e inspiração, termos visibilidade e acessos, e
também a tranquilidade de nos comunicarmos em público, nos jornais, na
televisão e nos livros a partir de nossos falares e escreveres, de forma mais
tranquila e menos vigiada até por nós mesmos”, diz o pesquisador.
O projeto foi desenvolvido de forma coletiva, com a participação da Matuta
– Comunidade de Pesquisa em Terreiro, e contou com a coordenação de
Nicole Faria Batista. A equipe é formada ainda por Bruni Fernandes (projeto
gráfico e editoração), Michelle Araújo Pessoa e Gabriel Ricardo de Moura
(pesquisa e produção), Lania Mara Silva, Ana Paula Santos e Alice Bicalho
(revisão e capa). Mais que um registro escrito, Da Macega à Makaia é um
convite à escuta, à cura e à celebração dos saberes de terreiro — um
caminho aberto para que a palavra ancestral encontre novas vozes, e o
conhecimento afro-diaspórico continue a ecoar, vivo, nas encruzilhadas da
literatura e da vida. O Lançamento de “Da Macega à Makaia: tramas de
relação do falar negro de terreiro”, do Pai Ricardo de Moura, é uma
iniciativa da AML e tem apoio do Itáu Cultural.
Sobre o autor_____________________________
Pai Ricardo, como é conhecido, é um zelador – aquele que zela e encaminha
o sagrado – da Associação da Resistência Cultural Afro-brasileira Casa de
Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO), terreiro de umbanda de matriz afro-
indígena-brasileira fundado em 1966 por seu pai e sua mãe, Joaquim
Camilo e Maria das Dores Moura. A Casa, localizada na Lagoinha em BH,
realiza rituais, cerimônias, sessões, banhos, atendimentos e festejos, além
de atividades como capoeira, artesanato, cultivo de ervas, distribuição de
alimentos e promoção do fomento de atividades e expressões culturais afro-
brasileiras. Atua também na diretoria do Centro Nacional de Africanidade e
Resistência Afro-Brasileira (CENARAB), pela sua importante atuação na
preservação e transmissão da riqueza de saberes e fazeres relativos à
ancestralidade africana no Brasil e por seu inestimável conhecimento no
campo da História e da Cultura Afro-Brasileira e Africana, cujo ensino foi
tornado obrigatório pela Lei 10.639/03.
Seguindo a tradição iniciada por seus pais, ele organiza dois grandes
eventos em espaços públicos de Belo Horizonte, ligados às tradições afro
brasileiras: a Festa de Iemanjá, que ocorre em agosto na Lagoa da
Pampulha, e a Noite da Libertação, evento que celebra a abolição da
escravatura, privilegiando a agência da ancestralidade afrobrasileira,
especialmente dos Pretos Velhos, na luta histórica pela liberdade e
dignidade do povo negro. O objetivo destas atividades é estimular o
reconhecimento das tradições afro brasileiras pela população da cidade, por
meio de uma aproximação festiva, alegre e respeitosa, capaz de modificar a
situação de forte racismo religioso vivido pelo povo negro de axé. Em 16 de
outubro de 2019, essas duas festas foram reconhecidas oficialmente como
patrimônio imaterial da cidade de Belo Horizonte.
Serviço____________________________Lançamento Livro “Da Macega à Makaia – abrindo caminhos na
tradução do falar negro de terreiro” - Pai Ricardo de Moura
Data: 24 de outubro, sexta-feira
Horário: 19h
Local: Academia Mineira de Letras
Rua da Bahia, 1466, Centro, Belo Horizonte/MG
Entrada gratuit




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