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DA MACEGA À MAKAIA: PAI RICARDO LANÇA SEU PRIMEIRO LIVRO NA ACADEMIA MINEIRA DE LETRAS

Projeto apoiado pelo Rumos Itaú Cultural, evento será no dia 24 de outubro com

entrada gratuita

Os conhecimentos tradicionais das casas e territórios de religiões

afrobrasileiras, por vezes restritos a quem os frequenta e vive, ganham

uma nova plataforma: é o livro “Da Macega à Makaia – abrindo

caminhos na tradução do falar negro de terreiro”, proposto por Pai

Ricardo de Moura - mestre nas disciplinas de Formação transversal em

saberes tradicionais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e

coordenador do Centro de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO). O projeto

foi contemplado no Rumos Itaú Cultural 2023-2024 e será lançado no dia

24 de outubro, sexta-feira, na Academia Mineira de Letras, em Belo

Horizonte.

O livro apresenta o ensino, a transcrição, a “escrit(ação)” (termo cunhado

por ele) e a editoração dos saberes ancestrais espirituais, artísticos,

culturais e éticos herdados de seus antepassados, a fim de resgatá-los,

preservá-los e difundi-los.

Da Macega à Makaia trata do trânsito entre a oralidade e a escrita do

pensamento afro periférico dessa comunidade. “O falar negro é como a

macega, uma mata complexa, difícil de atravessar, pela dificuldade que

algumas pessoas têm de nos ler, escutar, sentir, entender e ceder espaço",

diz Pai Ricardo que completa: “Já a makaia é o local de mata fértil, de

pensamentos e ideias que precisam circular entre espaços distintos. É o

bioma, o sistema inteiro, com movimentos, energias, tudo o que está

acontecendo nas temporalidades cronológica e da subjetividade. É o lugar

que carrega todos os ecossistemas do pensamento negro de terreiro”.

Filho de Oxóssi - “o deus que habita e é a própria mata” -, Pai Ricardo

explica que a makaia e a macega são elementos que sempre estão

presentes em suas reflexões. “Para transitar por uma, é preciso passar pela

outra. Makaia e macega são caminhos. Para atravessá-los, sugiro um

processo criativo compartilhado de transcrição da oralidade, respeitando a

cosmologia de terreiro, pautada no diálogo, na coletividade, na transmissão

dos conhecimentos, na prática e na escuta atenta entre todos”, conta.

O trabalho foi dividido em eixos, como: “A relação entre os saberes

tradicionais e a universidade”; “A cidade, o ambiente e as comunidades

tradicionais”; “Territórios de práticas religiosas afro diaspóricas”; “A

diáspora negra na periferia”; “Criação e educação no dilema da transmissão

de saberes” e “O carretel de sucessão”.

Com esse livro, Pai Ricardo deseja que esses saberes alcancem outras

comunidades, redes de povos tradicionais, acadêmicos, gestores e pessoas

interessadas em se “engajar na causa” para combater o racismo."Queremos ser ferramenta e inspiração, termos visibilidade e acessos, e

também a tranquilidade de nos comunicarmos em público, nos jornais, na

televisão e nos livros a partir de nossos falares e escreveres, de forma mais

tranquila e menos vigiada até por nós mesmos”, diz o pesquisador.

O projeto foi desenvolvido de forma coletiva, com a participação da Matuta

– Comunidade de Pesquisa em Terreiro, e contou com a coordenação de

Nicole Faria Batista. A equipe é formada ainda por Bruni Fernandes (projeto

gráfico e editoração), Michelle Araújo Pessoa e Gabriel Ricardo de Moura

(pesquisa e produção), Lania Mara Silva, Ana Paula Santos e Alice Bicalho

(revisão e capa). Mais que um registro escrito, Da Macega à Makaia é um

convite à escuta, à cura e à celebração dos saberes de terreiro — um

caminho aberto para que a palavra ancestral encontre novas vozes, e o

conhecimento afro-diaspórico continue a ecoar, vivo, nas encruzilhadas da

literatura e da vida. O Lançamento de “Da Macega à Makaia: tramas de

relação do falar negro de terreiro”, do Pai Ricardo de Moura, é uma

iniciativa da AML e tem apoio do Itáu Cultural.

Sobre o autor_____________________________

Pai Ricardo, como é conhecido, é um zelador – aquele que zela e encaminha

o sagrado – da Associação da Resistência Cultural Afro-brasileira Casa de

Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO), terreiro de umbanda de matriz afro-

indígena-brasileira fundado em 1966 por seu pai e sua mãe, Joaquim

Camilo e Maria das Dores Moura. A Casa, localizada na Lagoinha em BH,

realiza rituais, cerimônias, sessões, banhos, atendimentos e festejos, além

de atividades como capoeira, artesanato, cultivo de ervas, distribuição de

alimentos e promoção do fomento de atividades e expressões culturais afro-

brasileiras. Atua também na diretoria do Centro Nacional de Africanidade e

Resistência Afro-Brasileira (CENARAB), pela sua importante atuação na

preservação e transmissão da riqueza de saberes e fazeres relativos à

ancestralidade africana no Brasil e por seu inestimável conhecimento no

campo da História e da Cultura Afro-Brasileira e Africana, cujo ensino foi

tornado obrigatório pela Lei 10.639/03.

Seguindo a tradição iniciada por seus pais, ele organiza dois grandes

eventos em espaços públicos de Belo Horizonte, ligados às tradições afro

brasileiras: a Festa de Iemanjá, que ocorre em agosto na Lagoa da

Pampulha, e a Noite da Libertação, evento que celebra a abolição da

escravatura, privilegiando a agência da ancestralidade afrobrasileira,

especialmente dos Pretos Velhos, na luta histórica pela liberdade e

dignidade do povo negro. O objetivo destas atividades é estimular o

reconhecimento das tradições afro brasileiras pela população da cidade, por

meio de uma aproximação festiva, alegre e respeitosa, capaz de modificar a

situação de forte racismo religioso vivido pelo povo negro de axé. Em 16 de

outubro de 2019, essas duas festas foram reconhecidas oficialmente como

patrimônio imaterial da cidade de Belo Horizonte.

Serviço____________________________Lançamento Livro “Da Macega à Makaia – abrindo caminhos na

tradução do falar negro de terreiro” - Pai Ricardo de Moura

Data: 24 de outubro, sexta-feira

Horário: 19h

Local: Academia Mineira de Letras

Rua da Bahia, 1466, Centro, Belo Horizonte/MG

Entrada gratuit

 
 
 

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