Espetáculo inspirado em Machado de Assis estreia no Galpão Cine Horto com direção da atriz Inês Peixoto do Grupo Galpão
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“Um tal bruxo do Cosme Velho” chega aos palcos dias 16 e 17 de maio com sessões para todas as idades com teatro de objetos e música de Chiquinha Gonzaga

Belo Horizonte recebe, nos dias 16 e 17 de maio, a estreia do espetáculo Um tal bruxo do Cosme Velho, nova produção do Projeto Conexão Galpão. A montagem inédita ocupa o Galpão Cine Horto e propõe um encontro entre literatura, música e teatro de formas animadas, em uma experiência voltada para públicos de todas as idades.
Com direção de Inês Peixoto e dramaturgia original de Eduardo Moreira, ambos integrantes do Grupo Galpão, o espetáculo parte de dois contos clássicos de Machado de Assis, “Filosofia de um par de botas” e “O Apólogo”, para criar uma narrativa lúdica, bem-humorada e provocadora.
“A realização deste espetáculo foi um encontro muito bonito entre um antigo desejo que eu tinha de montar uma obra a partir de dois contos do Machado de Assis e o projeto Conexão do Galpão Cine-Horto, voltado para crianças do ensino fundamental.
Quando eu falei pro Chico Pelúcio dessa ideia, ele logo criou condições para que o projeto fosse abraçado pela equipe do Conexão e começamos a trabalhar. Eu queria juntar Machado de Assis e Chiquinha Gonzaga numa peça para crianças”, comenta Inês Peixoto.
Em cena, objetos ganham vida: um par de botas abandonadas revisita memórias do passado, enquanto uma linha e uma agulha travam um debate sobre importância, vaidade e colaboração. A encenação aposta no teatro de objetos e na palhaçaria para traduzir a ironia machadiana em imagens poéticas e acessíveis.
Os cenários, figurinos e marionetes assinados por Eduardo Félix transformam elementos cotidianos em protagonistas, criando um universo visual no qual o inanimado ganha voz. A trilha sonora, inspirada na obra de Chiquinha Gonzaga, tem coordenação de Pablo Barcelos e arranjos vocais de Ernani Maletta, dialogando diretamente com o ritmo da cena.
“Juntamos ‘A filosofia de um par de botas’ e ‘O apólogo’, na dramaturgia assinada por Eduardo Moreira. Fizemos uma oficina de clown com a mestra argentina Raquel Sokolowicz, que foi fundamental para firmarmos alguns pilares da direção e trabalho dos atores. Nosso cenário, figurinos e adereços ficaram nas mãos de Eduardo Félix e equipe. Nossa missão de trazer para cena a inspiração da obra musical de Chiquinha Gonzaga, foi realizada por Pablo Barcelos e Ernani Maletta. Nossa luz ficou com o P.P. Sabará. E tivemos ao redor toda a equipe de produção e assistência do Galpão Cine-Horto. Parceiros de sonho”, diz a diretora.
Idealizado para aproximar diferentes gerações dos clássicos da cultura brasileira, o espetáculo investe na intersecção entre literatura, música e linguagem visual. A proposta busca preservar essas referências ao mesmo tempo em que as atualiza, criando uma experiência dinâmica que transita entre o lúdico e o crítico.
Um tal bruxo do Cosme Velhointegra o Projeto Conexão Galpão, iniciativa sociocultural do Grupo Galpão, criada em 2002, que promove o acesso de estudantes da rede pública ao teatro. A estreia marca também a ampliação do projeto para novos públicos, com sessões abertas a famílias e interessados em geral.
“Me sinto muito realizada por colocar Machado em diálogo com as crianças de hoje, num trabalho que é uma ode ao poder da imaginação. Mergulhamos em tudo de mais artesanal que o teatro pode oferecer. A comunicação direta com o público, olhar para o que está ao seu lado e imaginar novas possibilidades de criar histórias e, o mais importante de tudo, refletir sobre a potência que temos para inventar mundos”, finaliza Inês.
SOBRE INÊS PEIXOTO
Atriz, diretora, cineasta, dramaturga e roteirista nasceu em Belo Horizonte em 1960. Ingressou no Teatro Universitário em 1979, migrando para o Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado (CEFAR) em 1981, onde se profissionalizou. É formada em Cinema e Audiovisual pelo Centro Universitário UNA. Trabalhou em vários espetáculos de produtores locais na década de 1980, entre eles: “A Viagem do Barquinho”, direção Tião Camilo e Beto Lima, “Cigarras e Formigas”, direção Afonso Drumond, “Brasil, Mame-o ou Deixe-o”, direção Luiz Carlos Moreira, “Quando Fui Morto em Cuba”, direção Belisário Barros e “Foi bom, meu bem?”, direção Luiz Carlos Moreira. Participou da comédia musical “No Cais do Corpo”, direção Ricardo Batista, trabalho que uniu o grupo de atores e músicos, que formaria “Veludo Cotelê”, a maior banda de rock-brega do mundo. Paralelamente, produziu e atuou em “Casablanca, meu Amor”, direção Yara de Novaes. Em 1992, depois de participar de uma série de workshops promovidos pelo Grupo Galpão, foi convidada para a montagem de “Romeu e Julieta”, direção Gabriel Villela. Desde então, tornou-se integrante do grupo, participando das montagens seguintes: “A Rua da Amargura”, direção Gabriel Villela; “Um Molière Imaginário”, direção Eduardo Moreira; “Partido”, direção Cacá Carvalho; “Um Trem Chamado Desejo”, direção Chico Pelúcio; “O Inspetor Geral” e “Um Homem é um Homem”, ambos dirigidos por Paulo José; “Pequenos Milagres”, direção Paulo de Moraes; “Till, a saga de um herói torto”, direção Júlio Maciel; “Eclipse”, direção Jurij Alschitz e “Os Gigantes da Montanha”, direção Gabriel Villela; “Outros”, direção Márcio Abreu, "Cabaré Coragem", direção Júlio Maciel. Tem um espetáculo solo chamado, “Órfãs de dinheiro” com direção Eduardo Moreira.
SOBRE EDUARDO MOREIRA
Natural do Rio de Janeiro, deu seus primeiros passos no teatro em espetáculos da faculdade de filosofia da UFMG e junto a grupos musicais como CURARE e Mambembe, ligados à Fundação de Educação Artística em Belo Horizonte, no final da década
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