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Thaís Garayp: Da Engenharia à Arte — a atriz que ressignificou a maturidade nos palcos e telas



Por Ronaldo Fish


Com mais de duas décadas de carreira artística, Thaís Garayp trocou cálculos e projetos de engenharia pela emoção dos palcos, sets de filmagem e estúdios de dublagem. Aos 65 anos, ela segue ativa, inspirando novas gerações com sensibilidade, talento e autenticidade.


De Belo Horizonte para o Brasil


Thaís Garayp nasceu em 26 de março de 1957, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Descendente de libaneses, viveu uma juventude marcada pelo estudo e pela disciplina. Formou-se engenheira civil pela UFMG e trabalhou como funcionária pública por anos antes de descobrir — ou redescobrir — seu verdadeiro dom: a arte.


“Antes eu construía prédios, hoje construo personagens”, costuma dizer.


Primeiros passos na arte: dança, coral e palco


A paixão pela arte surgiu cedo. Thaís estudou balé clássico na Fundação Clóvis Salgado entre 1972 e 1975. Anos depois, ingressou no respeitado Coral Ars Nova da UFMG, onde permaneceu por mais de uma década (1978–1993), apresentando-se em festivais nacionais e internacionais.


Também integrou o grupo vocal “Nós & Voz”, antes de migrar definitivamente para o teatro musical — um de seus grandes amores.


O teatro como alicerce artístico


Sua carreira teatral começou nos anos 1990, com destaque para os musicais Mulheres de Holanda (baseado em Chico Buarque), Pianíssimo, Mahagony e Na Era do Rádio. Thaís se destacou por sua voz marcante, presença de palco e naturalidade cênica.


Outros títulos notáveis:

• O Homem que Sabia Português

• Os Sete Pecados Capitais

• A Bolsa Amarela (infantil)

• O Malandro

• Teatro de Arena (produção musical que uniu política e MPB)




Bastidores da televisão: da ponta ao reconhecimento nacional


Thaís estreou na TV em Celebridade (2003) com uma pequena participação. No ano seguinte, viveu a parteira de Preta (Taís Araújo) em uma cena improvisada e inesquecível de Da Cor do Pecado.


Mas foi em Como Uma Onda (2005) que ela se firmou no elenco fixo da TV Globo, interpretando Abigail, uma mulher forte e espirituosa. Em seguida, vieram personagens marcantes como:

• Zoraide, em Paraíso Tropical (2007) — papel que ela define como “um presente”. A personagem continua em evidência nas reprises do canal Viva.

• Bezinha, em Bom Sucesso (2019) — a governanta cheia de sabedoria, contracenando com Antonio Fagundes.

• Ana, em Caminho das Índias (2009)

• Rosa, em Sete Vidas (2015) — descrita por ela como “uma feminista que não sabia que era feminista”.


Seu trabalho é reconhecido pela naturalidade em dar vida a mulheres reais: mães, avós, empregadas, amigas — sempre com humanidade e nuance.



Cinema e curtas: sensibilidade e versatilidade


Thaís também brilhou no cinema, em produções independentes e comerciais:

• O Circo das Qualidades Humanas (2000)

• Mulheres do Brasil (2006)

• Trinta (2012)

• Filhos de Bach (2015)

• O Macaco (adaptação de Nelson Rodrigues)

• A Cartomante

• Vó Dita no filme Chico Bento e a Goiabeira Maravilhosa, da MSP Filmes. (2025)


A musicalidade como fio condutor


Com formação vocal sólida, Thaís utiliza a música como extensão de sua expressividade cênica. Já declarou querer criar um espetáculo que una canto e atuação, mesclando teatro musical com histórias de vida.


A maturidade como representação


Thaís é referência entre as atrizes maduras que ganharam espaço pela autenticidade, não pelo estereótipo. Em entrevistas, reflete:


“A TV precisa de 90% de rostos bonitos, mas também precisa dos 10% de carisma e verdade. É aí que entro.”

“Não tenho medo de envelhecer em cena. A arte, quando é sincera, não envelhece.”


Vida pessoal, fé e resiliência


Durante a pandemia, retornou a Belo Horizonte, onde cuida do corpo com hidroginástica e mantém o equilíbrio emocional com leitura e espiritualidade. Católica, acredita que sua trajetória é também missão:


“Me manter ativa é uma forma de agradecer. Meu grande sonho é morrer atuando.”


Transição de carreira: um salto de fé


Largar a estabilidade de uma carreira na engenharia não foi simples. Mas Thaís afirma que nunca duvidou do chamado:


“Chega uma hora em que o coração bate mais forte do que o contracheque.”


Essa coragem inspira profissionais de todas as áreas a recomeçarem — independentemente da idade.


Legado


Thaís Garayp representa o arquétipo da mulher real: forte, sensível, humana. Sua carreira é exemplo de que há espaço para o talento em qualquer etapa da vida. Em tempos de culto à juventude, ela lembra que o envelhecer na arte pode ser, sim, revolucionário.


Próximos passos

• Cinema: Vó Dita em Chico Bento e a Goiabeira Maravilhosa (2025)

• Teatro: desenvolvimento de um solo musical

• TV: aberta a novos convites para novelas e séries




Encerramento


Thaís Garayp não apenas trocou de profissão — ela reconstruiu sua identidade através da arte. Com talento, coragem e brilho próprio, ela se tornou referência de reinvenção e longevidade artística no Brasil.


Que sua trajetória siga inspirando outros a começarem — ou recomeçarem — a viver com mais verdade.

 
 
 

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